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sábado, 31 de maio de 2008

CHURRASCO ECOLÓGICO ???


COMEMORAR EVENTOS ECOLÓGICOS COM A MATANÇA E A CREMAÇÃO DE ANIMAIS É UM ATO DE TOTAL FALTA DE RESPEITO PELA VIDA.



Carta do médico e ambientalista
Márcio Bontempo aos ecologistas:

Prezado companheiro(a) ecologista,

Coerência é uma coisa exigida para autenticar o que fazemos, fazer com que
nos respeitem e com que respeitemos a nós mesmos. Um verdadeiro ecologista
não apenas milita pela natureza, mas procura viver e ser um exemplo de ação
em todos os sentidos. Além de crítico, defensor e patrulheiro, é preciso ser
também um autocrítico e conhecer todas as possibilidades de proteger a
natureza. Temos visto ecologistas que lutam pela defesa do meio ambiente,
mas não dão bom exemplo em termos de comportamento e hábitos. E não é por
atirarem lixo pela janela, comprarem detergente não biodegradável, usarem
demais o automóvel e menos a bicicleta, fumarem, ou outros maus exemplo de
atitudes antiecológicas. Estamos falando de hábitos que produzem efeitos
piores e que são comuns a muitos companheiros. Estamos falando da dieta
antiecológica. Sabia disso ? Sabia que é possível ajudar a natureza,
simplesmente selecionando melhor os alimentos e escolhendo-os com
consciência ? Por exemplo: não comendo carne! Quer saber como? Aqui vão
alguns dados importantes...

(por favor, resista aos impulsos obscuros que tendem a evitar o contato com
verdades e fatos que podem perturbar a rotina dos hábitos e vícios
alimentares enraizados e atávicos, mais baseados nos desejos gulosos, e
leia!)

A produção de gado, sem contarmos com o caso dos frangos e porcos, é uma
ameaça primária ao meio-ambiente global. É um dos principais contribuintes
para o desmatamento, a erosão do solo e conseqüente desertificação, a
escassez de água, a poluição dos rios, lençóis freáticos, mares e mananciais
de águas, o esgotamento dos combustíveis fósseis, efeito estufa, extinção de
animais e perda da biodiversidade.

Quase a metade da massa de terra do globo é usada como pasto para gado e
outras criações. Cerca de 80% de todo o desmatamento e desaparecimento de
florestas, no planeta inteiro, deve-se à pecuária. Em pastos muito férteis,
2,5 acres podem sustentar uma vaca por ano, em pastos de qualidade marginal,
é preciso 50 ou mais acres.
Se não reduzirmos em pelo menos 20% o consumo de carne bovina no Brasil, até
2020 não teremos mais mata atlântica.
Fazendas de gado são uma causa primária do desmatamento na América Latina.
Desde 1960, mais de 1/4 de todas florestas da América Central foram
arrasadas para criar pastos para o gado. Quase 70% da terra desmatada no
Panamá e Costa Rica agora é pasto.

Apenas um só hambúrguer médio requer o desmatamento de aproximadamente 6
metros de floresta tropical e a destruição de 165 libras de matéria viva
incluindo 20 a 30 diferentes espécies vegetais, 100 espécies de insetos, e
dúzias de espécies de aves, mamíferos, e répteis.

Erosão do Solo e Desertificação

O gado degrada a terra ao tirar a vegetação e compactar a terra. Cada animal
que pasta num campo aberto come 900 libras de vegetação a cada mês. Seus
poderosos cascos pisoteiam a vegetação e comprimem o solo com um impacto de
24 libras por polegada quadrada.

Escassez de água

Produzir uma libra de proteína de carne muitas vezes requer até 16 vezes
mais água que produzir uma quantidade equivalente de proteína vegetal. Só
para produzir uma porção de proteína de ave, são necessárias 100 vezes mais
água do que seria exigido para a mesma porção de proteína vegetal de soja.

Esgotamento dos combustíveis fósseis

Atualmente é necessário um galão de gasolina para produzir uma libra de
carne alimentada com grãos nos EUA. O consumo anual de carne de uma
família americana comum com quatro pessoas, requer mais de 260 galões de
combustível e libera 2.5 toneladas de CO2 para a atmosfera, o mesmo tanto que um carro comum libera num período de 6 meses.

Efeito estufa

O gado emite metano, outro gás do efeito estufa, via arrotos e flatulência.
Cientistas estimam que mais de 500 milhões de toneladas de metano são
liberadas a cada ano e que os 1,3 bilhões de gado e outras criações
ruminantes do mundo, emitem aproximadamente 60 milhões de toneladas ou 12%
do total de todas as fontes. Metano é um sério problema porque uma molécula de metano retém 25 vezes mais calor solar que uma molécula de CO2.

O consumo de carne e a fome no mundo

Uma alimentação vegetariana, além de favorecer a saúde, de contribuir para a
preservação ambiental, é uma opção que tem por base a consciência quanto a
aspectos sócio-econômicos. Optar por uma dieta vegetariana, contribui, de
alguma forma, para reduzir a situação intolerável da fome no mundo. Vejamos
como:

Segundo a FAO (Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura) a produção de carne causa fome e pobreza humana, ao desviar grãos e terras férteis para sustentar gado em vez de pessoas. Nos países em desenvolvimento, a produção de carne perpetua e intensifica a pobreza e injustiça, particularmente se a ração do gado ou aves é produzida para exportação. Se conservássemos a produção de cereais e a distribuíssemos aos pobres e subnutridos, em vez de dá-la ao gado, poderíamos facilmente alimentar quase toda a população subnutrida do mundo.

Muitos ambientalistas não têm a informação de que o consumo de carne é
danoso para o meio ambiente. Mas o que preocupa é que muitos, ao receberem
essa informação, continuam a comer carne.

Com base nessas informações, uma das coisas mais incoerentes e absurdas é um
ato ecológico, evento ou encontro ambiental, "coroado" com um "bom
churrasco". O "churrasco ecológico...."

Tenho visto companheiros que tomam conhecimento destas coisas e continuam a
comer carne. Essa atitude é a expressão de uma fraqueza. Mas tenho visto
companheiros valorosos que percebem ser o simples ato de não comer carne
vermelha, um grande passo que acaba por gratificar-nos interiormente de um
modo inexplicável, pois a nossa auto estima, nosso auto-respeito nos
fortalecem nessa decisão. Sabe aquela sensação de vitória, de poder interno?
E o contrário disso, quando você acaba comendo carne e depois a consciência
pesa...E fica pesada, por muito tempo...Quer dizer, o prazer que o churrasco
ou a picanha lhe proporcionaram, não valeu, foi momentâneo, rápido e curto
para poder compensar esse peso que lhe acompanha agora.

Mas vc tem uma alternativa se quiser — ao menos reduzir ou anestesiar um
pouco — esse tormento: vc pode fazer como a maioria dos "ecologistas", que é
enganar a si próprio e negar os apelos da consciência (que, no entanto, vai
estar sempre lha chamando de idiota...); para tentar abafar um pouco a
pressão, vc pode fazer piadinhas sem graça sobre a comida vegetariana, pode
"gozar" algum companheiro "veggie" oferecendo um sanduíche de grama...Num
grupo, pode exibir aquele sorriso besta afirmando — sempre sem graça por
dentro - que "nada como uma boa carninha...". Mas, no fundo, sabe que o
preço que vc paga por essa atitude trivial é a perda do próprio respeito.
Sabe, uma vez que vc recebe uma informação importante e verdadeira, vc
adquire responsabilidade quanto ao que fará quanto a isso a seguir...

E, por favor, não se valha desse argumento desgastado, batido e já sem graça de que vc precisa de proteínas...Hoje sabemos que a dieta vegetariana é muito mais saudável e completa, inclusive prevenindo as doenças que a carne transmite. Inclusive, vc mesmo sabe que existem cardápios e pratos deliciosíssimos que não precisam levar carne. Tenha dó! Mas já pensou no exemplo vivo e consciente que vc vai ser se parar de comer carne?

Da próxima vez, quando vc for comer um pedaço de carne, uma picanha ou um
hambúrguer, tenho a certeza de que vc vai lembrar de mim. Vai lembrar que
está ajudando a destruir um pouco daquilo que vc defende, a natureza. E vai
sentir que está sendo incompleto, fraco e incoerente. Vai se sentir mal com
consigo mesmo e com a sua fraqueza, que é de passar por cima de um apelo
mais profundo da consciência - pois vc sabe que está errado - simplesmente
por ceder a um mero e fugaz desejo de prazer. Pior quando a gente usa
pretextos infundados e infantis para comer um pedaço de animal. E, por
favor, não me venha dizendo que isto é conversa de vegetariano, "natureba",
etc. Amigo! Amiga! ... é mais um pretexto, mais um truque do seu lado ainda
fraco. E pior, vc sabe disso, e sabe que eu tenho razão...E olha que eu
estou lhe dando um voto de confiança, considerando que vc não vai nem pensar
em usar o argumento irracional de que "de que adianta eu não comer carne se
tanta gente come.." ou, mais insano e alienado ainda: "mesmo se eu parar,
nada vai mudar". Olha lá, heim! Há muito tempo sabemos que o global é um
reflexo de soma das atitudes e ações de cada pessoa. Não fosse assim não
adiantaria praticar atos ecológicos, pois os outros estariam poluindo....
Cuidado. Essa é a nossa primeira lei. Atento!

Um ecologista autêntico é completo mesmo. É TOTAL. Tem dignidade para
respeitar a si mesmo e a sua consciência. Tem força para superar seus desejos e fraquezas. De que outro modo vc pode exigir coerência dos outros, dos destruidores da natureza, dos poluidores? Não é apelando para a consciência deles que vc atua para proteger a natureza? Não é assim? Vc pede que tenham consciência de que estão destruindo o futuro, agredindo a natureza, etc. Só assim vc pode e tem atuado. Você e os grupos ambientalistas do mundo inteiro. Não há outro modo. Pois então, eu também estou pedindo isso à vc: que tenha consciência de que comer carne é simplesmente, e nada mais do que isso, a atitude pessoal mais antiecológica possível. Pense nisso, companheiro. Pense nisso.

Em abraço ecológico,

Marcio Bontempo — mb@portalbontempo.com.br

Para maiores informações e para ter segurança plena de que uma dieta sem
carne é mais saudável e ecologicamente correta, adquira nas boas livrarias a
obra ALIMENTAÇÃO PARA UM NOVO MUNDO, de Marcio Bontempo, editada pela
Record.



Texto publicado no site: http://www.portalverde.com.br/alimentacao/carne/carta_bontempo.htm

sexta-feira, 4 de abril de 2008

FAÇA UMA GENTILEZA PELOS ANIMAIS


O PÁSSARO CATIVO

- OLAVO BILAC -

" "Por que me prendes? Solta-me covarde! Deus me deu por gaiola a imensidade: Não me roubes a minha liberdade ... Quero voar! voar! ... "

Estas coisas o pássaro diria, se pudesse falar. E a tua alma, criança, tremeria, vendo tamanha aflição: e a tua mão tremendo, lhe abriria a porta da prisão... "

SEJA A VOZ DOS ANIMAIS SILVESTRES AMEAÇADOS DE SER ENGAIOLADOS E TRANSFORMADOS EM MERCADORIAS.

O IBAMA DISPONIBILIZOU PARA CONSULTA PÚBLICA UMA LISTA DE MAIS DE 50 ESPÉCIES DA FAUNA SILVESTRE, QUE PODERÃO SER CRIADAS E COMERCIALIZADAS COMO ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO.

EM NOME DOS SERES QUE TÊM O DESEJO DE VIVER EM LIBERDADE, EXPRESSE O SEU REPÚDIO PELO COMÉRCIO DE ANIMAIS, ENVIANDO UM E-MAIL PARA
FAUNA.SEDE@IBAMA.GOV.BR ATÉ 06 DE ABRIL.

SEJA GENTIL COM A VIDA
MANIFESTE-SE PELA LIBERDADE

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A FAUNA SILVESTRE COMO MERCADORIA: MAIS UMA VITÓRIA DO ESPECISMO?



Autora: Paula Brügger - brugger@ccb.ufsc.br Fonte: www.sentiens.net




O Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - disponibilizou para Consulta Pública uma lista com mais de 50 espécies da fauna silvestre nativa que poderão ser criadas e comercializadas como animais de estimação*. Répteis como iguanas e o lagarto-preguiça e uma grande variedade de aves como o tucano, o tico-tico, a graúna, e diversos tipos de psitacídios - como periquitos, araras, caturritas e papagaios - poderão compor o novo rol de animais que serão criados e vendidos como "pets".

Na contramão de uma ética biocêntrica:

O primeiro preceito de ordem ética que tal consulta afronta é o fato de os animais não-humanos serem seres vivos sencientes e não coisas. Portanto, jamais poderiam ser "objetos" passíveis de mercantilização. Já não basta termos interferido ao longo de nossa trajetória histórica no planeta – por meio da domesticação - no curso de tantas outras espécies? Mesmo desconsiderando nesta discussão todo o sofrimento imposto aos bilhões de animais criados com a finalidade de serem abatidos para consumo humano (e os conseqüentes impactos ambientais e sociais decorrentes dessa prática), os problemas advindos da domesticação de animais como cães e gatos, sobretudo nos ambientes urbanos, ainda estão longe de ter uma solução. Por que, então, persistir, ampliar e legitimar uma relação com o entorno que tem sido tão problemática? A resposta para essa pergunta jaz, em grande parte, na visão antropocêntrica de mundo que guia nossa cultura. Vemos a natureza como uma grande fábrica, ou seja, como um conjunto de recursos ou meios para se atingir um fim: o de servir aos interesses humanos. E esse ideário está presente inclusive no nome do órgão responsável pela estapafúrdia consulta.

Na contramão da prudência ecológica:

O Ibama argumenta que como o Brasil é signatário da "Convenção sobre Diversidade Biológica", cujo objetivo é - em tese – a conservação da diversidade biológica e a utilização sustentável de seus componentes, tal medida seria importante para prevenir e combater na origem as causas da redução ou perda da diversidade biológica e controlar ou erradicar e impedir que se introduzam espécies exóticas que ameacem os ecossistemas, habitats ou espécies, entre outras questões. Mas é no mínimo contraditório que um país signatário de tal "Convenção" tenha uma política agrícola baseada na produção de commodities - como grãos e carne – cuja produção é responsável pela devastação de uma das florestas mais ricas em biodiversidade do planeta: a Amazônica. E a própria resolução 394 do CONAMA (que trata da mencionada consulta) reconhece que, para a aprovação da lista, diversas questões deverão ser levadas em conta. Entre elas estão: o potencial de invasão dos ecossistemas fora da área de distribuição geográfica original de tais espécies (incluindo outros países); o potencial de riscos à saúde humana, animal, ou ao equilíbrio das populações naturais; a possibilidade de introdução de agentes biológicos com potencial de causar prejuízos de qualquer natureza; o risco de os espécimes serem abandonados ou de fuga, etc.

A quem interessa tal lista? Como ficam os interesses dos animais?

Uma vez que há também muitas vozes que se levantam contra tal proposta, é fácil perceber que a criação e comercialização de animais silvestres visam tão somente a atender a satisfação dos desejos hedonistas de alguns seres humanos e criadores que lucrarão às custas do sofrimento dos animais. Tal medida, além de não respeitar o atributo de senciência e de desconsiderar os animais não-humanos como sujeitos de suas vidas (veja os filósofos Peter Singer e Tom Regan), poderá causar danos à biosfera mesmo sob um ponto de vista meramente instrumental, pois não se encontra em consonância com uma visão sistêmica de sustentabilidade e tampouco com um "uso sustentável da biodiversidade", como desejam seus proponentes. Além de excluir a dimensão ética da sustentabilidade (evoca-se apenas a dimensão cultural na forma dos "anseios da sociedade brasileira" – sic-, uma questão de ordem estética, não ética), a medida poderá gerar um sem-número de externalidades que serão pagas por toda a sociedade e inclusive pelas gerações futuras, como os riscos apontados antes e questões mais imediatas como: animais abandonados, atropelados ou estropiados (necessitando de cuidados); a necessidade de intervenções cirúrgicas como castrações etc; os absurdos gastos com fiscalização para saber quais animais são nascidos em criadouro comercial legalmente estabelecido (uma meta cujo sucesso me parece extremamente difícil, além de não justificar sob o ponto de vista ético a comercialização dos animais), etc. Em vez de facilitar e legitimar a produção de tais riscos, o Poder Público deveria investir em projetos de educação e em medidas que visem a proibir a criação e a venda de animais de estimação. E isso seria apenas um começo, pois, a rigor, nenhum animal deveria ser criado e comercializado, para nenhuma finalidade.

Um triste cenário?


Caso a consulta pública em questão venha a dar respaldo a tal ato de insensatez poderá haver, em breve, um novo cenário no país no qual o encarceramento de répteis e aves se tornará uma prática corriqueira e legal (sic). Privados de seu bem mais precioso, sua liberdade – e aprisionados em jaulas, fossos, viveiros e gaiolas - espécimes da fauna silvestre serão apenas a sombra do que foram um dia na natureza, independentemente de terem sido criados para isso ou não. Serão mais uma mercadoria nas vitrines de pet shops e outros pontos de venda, produtos prontos para "divertir" os seres humanos. Termino com um trecho da belíssima música "Passaredo" de Chico Buarque e Francis Hime:

"Some rolinha; Anda, andorinha; Te esconde, bem-te-vi; Voa, bicudo; Voa, sanhaço; Vai, juriti; Bico calado; Muito cuidado; Que o homem vem aí; O homem vem aí"

(*): Conforme determina o Art. 3º da Resolução Conama nº 394 de 6 de novembro de 2007. A Consulta Pública estará disponível até o dia 6 de abril de 2008 no site do Ibama.
Paula Brügger é bióloga, professora do Depto. de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ex-membro da Comissão de Ética no Uso de Animais - (CEUA), mestra em Educação e Doutora em Ciências Humanas - Sociedade e Meio Ambiente. É autora dos livros "Educação ou adestramento ambiental?", que está na 3ª edição, e "Amigo Animal – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente". Atualmente coordena o projeto educacional "Amigo Animal". E-mail:
brugger@ccb.ufsc.br.